Breno Pires, Beatriz Bulla, Fábio Serapião, Fábio Fabrini e Rafael Moraes Moura

Em diálogo gravado em março pelo empresário Joesley Batista como parte de acordo de delação premiada, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), fez uma ampla defesa dos seus dez primeiros meses de mandato, criticou a oposição e disse acreditar no sucesso com as reformas defendidas pelo governo. Mas admitiu, no entanto, ser imprescindível o apoio do Congresso.

“Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado”, disse Temer a Joesley Batista, sem saber que estava sendo gravado, no início da gravação.

“Primeiro que você sabe que eu tô fazendo dez meses. Parece que foi ontem, né? Parece que foi ontem e parece uma eternidade, as duas coisas. Segundo que tem uma oposição muito rasa, uma oposição horrível. No começo, eles lançaram: ‘Golpe, golpe, golpe’. Não passou. Aí ‘a economia não vai dar certo’. Começou a dar certo. Então, os caras estão num desespero. Tem que ter apoio no Congresso. Se não tenho apoio do congresso, tô ferrado.”

O presidente insistiu ao empresário que a crise econômica ficaria para trás. Citou reformas como a que impôs o teto de gastos, entre outras aprovações conseguidas, como a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). “Vamos chegar, é isso mesmo, vamos chegar no fim deste ano olhando para frente”.

O áudio foi oferecido à imprensa pelo Supremo Tribunal Federal na noite desta quinta-feira, 18, após a homologação do acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e da holding J & F.

No momento em que o áudio chegou à imprensa, o presidente já sofria fortes críticas tanto da base do governo quanto da oposição. Três ministros já haviam dado declarações sobre a intenção de deixar o governo.

O empresário Joesley Batista falou sobre a melhoria da perspectiva da economia. “Muita coisa muito rápido. E também baixou o juro muito rápido. Porque a expectativa foi muito rápido, né, a reversão da expectativa”, disse.

Em seguida, o delator comenta que há tempos não via o presidente e passou a falar sobre encontros com representantes do núcleo duro do governo com quem mantinha contato, como Eliseu Padilha (PMDB), ministro da Casa Civil, e Geddel Vieira Lima (PMDB), que era ministro da Secretaria de Governo e caiu no fim de novembro após polêmica com o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, sobre um prédio em Salvador. Só mais adiante na conversa ele fala sobre Eduardo Cunha, deputado cassado.

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