O mercado de juros fechou com a maioria das taxas nos limites de oscilação máxima, que foram ampliados excepcionalmente nesta quinta-feira (18/5) nos quais permaneceram durante boa parte do dia, em função da crise institucional que assolou o País. Durante a tarde, algumas taxas até chegaram a, brevemente, sair das máximas, em linha com a redução de pressão vista na Bolsa e no dólar, por sua vez, atribuída à expectativa de renúncia do presidente Michel Temer. Em pronunciamento, porém, Temer afirmou: “não renunciarei”.

Ao final da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para julho de 2017 (679.455 contratos) fechou em 10,760%, de 10,361% no ajuste de quarta-feira, 17. O DI janeiro de 2018 (296.905 contratos) encerrou na máxima de 10,075%, de 8,975% no ajuste de ontem. A taxa do DI janeiro de 2019 (330.030 contratos), também no limite de alta, terminou em 10,41%, de 8,81%. Nos longos, a taxa do DI janeiro de 2021 (147 665 contratos) fechou na máxima de 11,39%, de 9,59%.

O estopim da crise foi a informação, divulgada ontem à noite, de que donos da JBS, Joesley Batista e seu irmão Wesley Batista, gravaram uma conversa em que Temer supostamente dá aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. O senador Aécio Neves (PSDB) também foi gravado pedindo propina de R$ 2 milhões a Joesley Batista, segundo divulgou o jornal O Globo, que teve acesso à delação premiada dos sócios da JBS.

O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou o senador Aécio Neves (PSDB) de seu cargo e o ministro Edson Fachin autorizou abertura de inquérito para investigar Temer.

Com isso, diante da pressão pela saída de Temer e o possível fim do atual governo, o mercado de juros entrou em pânico, pelo risco de paralisação das reformas e de interrupção do processo de flexibilização da política monetária, num momento em que os agentes vinham apostando fortemente na aceleração do ritmo de corte da Selic.

Já com a sessão regular encerrada, Temer fez um pronunciamento no qual diz que tentou mas não conseguiu acesso às gravações em que é citado. Disse não ter “comprado o silêncio de ninguém”, que não tem nada a esconder e que não renunciará. Após o pronunciamento, o dólar futuro ficou em leilão entre 16h11 e 16h24 e, quando retomou as negociações, subia 7,41%, aos R$ 3,3785 no contrato para junho.

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