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Música

Fenômeno da internet, cantor Rubel lança novo disco

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O fluminense Rubel Brisolla se transformou num fenômeno na internet com suas melodias e composições suaves, num estilo musical totalmente inspirado no folk. Em 2013 ele lançou seu primeiro disco, Pearl, inteirinho na internet, sem imaginar que fosse render algo. O disco foi um sucesso sem que houvesse qualquer divulgação. Atualmente, o videoclipe da canção Quando Bate Aquela Saudade possui 18 milhões de visualizações no Youtube. Agora Rubel lança seu novo disco, Casas, disponível em todas as plataformas digitais.

“Deixa só eu me organizar aqui rapidinho que minha casa tá uma bagunça”, disse Rubel ao atender o telefone para conversar com A TARDE sobre seu novo álbum. A fala pode parecer irônica, já que o disco Casas nada tem de bagunçado.

O processo de criação foi longo. Durante dois anos compondo, Rubel decidiu que precisava investir na produção do álbum. Com forte presença do hip-hop, algo que assustou os seguidores do músico quando anunciou que trabalharia com esse estilo, ele consegue criar uma mistura de ritmos.

“O Casas é muito mais pensando. Eu tinha uma ideia na minha cabeça do que eu queria que ele fosse. Quis misturar hip-hop com MPB, só que eu não sabia como fazer isso porque a dinâmica era muito diferente do que eu estava acostumado a fazer”, avalia Rubel.

O disco foi contemplado em 2016 com um incentivo do prêmio Natura Musical para que fosse realizado. “A gente tinha duas músicas prontas do disco quando participamos do Natura Musical. Era voto popular e estávamos concorrendo com mais outras quatro bandas e ganhamos com 39% dos votos”, conta.

De Pearl a Casas

“A ideia é que Casas fosse uma continuação de Pearl, mas que ao mesmo tempo fosse uma ruptura. Queria que lembrasse o Pearl o suficiente para que o público pensasse que eles dialogam, que são partes de um projeto só, mas que ele fosse diferente o suficiente para apresentar alguma coisa nova”, explica Rubel sobre a construção narrativa do álbum. “Uma comparação meio bizarra, mas acho que é um pouco do que foi o Star Wars original com esses novos filmes. Eles honraram muito a franquia anterior, mas apresentaram elementos novos”, brinca.

Pearl era o nome da casa onde o artista viveu durante um intercâmbio que fez no Texas, em Austin. “Fui pra lá para estudar cinema e acabei morando nessa casa, onde gravei o disco, conheci muitas pessoas e me descobri. Depois que voltei para o Brasil foi muito difícil entender o meu espaço, porque aquela experiência toda tinha sido muito definitiva e transformadora. Foi como se eu tivesse vivido um sonho em que tudo ganhou muito sentido”, lembra Rubel.

De uma forma metafórica, Rubel tentava entender qual era sua casa no Brasil. Não tinha como voltar para Pearl e precisava seguir em frente. “Desde que saí de Austin tentei me reinventar e encontrar o lugar onde moro, minha casa, e esse disco é sobre esse processo”, diz o músico.

Parcerias

Em Casas, Rubel faz parceria com grandes nomes como Emicida e Rincon Sapiência. “A experiência de trabalhar com eles foi incrível! Sou muito fã dos dois”, admite Rubel.

Em Chiste, parceria com Rincon Sapiência, Rubel canta sobre alegria, sentimento que não era comum em suas músicas. “Encontrei com o Rincon para mostrar a batida que eu fiz, ainda sem letra, e ele gostou muito e sugeriu que fizéssemos uma música que fosse alegre. Percebi que nunca tinha feito uma música alegre e estava com vergonha de me permitir fazer uma música celebratória” lembra.

“Na minha cabeça achava que a alegria fosse inferior a tristeza, como se a tristeza nos fizesse crescer mais e bobagens desse tipo. Logo depois percebi que isso era uma bobagem tremenda e resolvi fazer uma letra justamente sobre isso. Um diálogo entre a dor e o riso, entre a alegria e a tristeza”.

Num dos versos de Chiste, Rincon Sapiência canta “As lágrimas são como Temer / Necessário colocar pra fora”. Rubel nunca havia se posicionado politicamente em suas músicas, mais uma de suas novidades.

“A gente está num momento muito confuso e conturbado da nossa política e eu acho que é importante abrir espaço para conversar sobre isso, tentar entender o que está acontecendo. Acho que a música pode contribuir para esse debate”, afirma o cantor.

Em Mantra, parceria com Emicida, a música já estava quase toda pronta. “Deixei aquele espaço no final, mandei a música e ele adorou”. A canção fala sobre religião, uma prece a São Jorge, com quem Rubel sente uma forte ligação.

“Eu não tenho uma religião, mas tenho muita fé. Sou uma pessoa muito espiritualizada e tenho uma relação que nunca entendi com o São Jorge. Eu fico imediatamente arrepiado quando ouço alguma citação, alguma música e até mesmo a imagem de São Jorge mexe muito comigo. Tenho uma relação que é meio uma mistura de sincretismos. Junto um monte de religião e faço uma coisa que para mim faz sentido”, revela Rubel.

O disco que já se encontra disponível nas plataformas digitais tem previsão para lançamento em mídia física em abril. Rubel espera lançar ainda neste ano uma versão em vinil do Casas. Datas para a turnê já estão sendo liberadas, e apesar de Salvador não estar na lista de futuras cidades, o cantor espera passar por aqui ainda em 2018.

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