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Michel Temer

Planalto associa trocas no ministério a projeto eleitoral

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Michel Temer/Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Michel Temer vai vincular as trocas na reforma ministerial, em março, ao projeto eleitoral do Planalto e do MDB, seu partido. As legendas que hoje têm cadeira na Esplanada só poderão indicar substitutos caso se comprometam a apoiar o candidato defendido por Temer — ele próprio ou outro do mesmo grupo político.

Segundo pessoas que estiveram com Temer nos últimos dias, o presidente não quer as pastas comandadas por secretários-executivos, como gostariam muitos dos atuais titulares, apenas para atender aos ministros que sairão para disputar o pleito. O presidente avisou o interesse em ter “nomes de peso” para dar credibilidade ao seu governo. Exige, porém, que os novos titulares das pastas estejam alinhados ao projeto do Planalto para a sucessão de Temer. Nas palavras de um emedebista próximo ao presidente, não pode ser “cada um por si”.

Temer conversou com seus principais auxiliares sobre o assunto nessa segunda-feira (26/2). O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi determinado para coordenar as conversas com os partidos e colher sugestões de nomes para os substitutos. O presidente avisará às legendas que elas poderão fazer indicações, mas a decisão final será dele.

“Os ministros e os partidos serão ouvidos, pois entendemos que todos estão fazendo um bom trabalho nos ministérios onde exercem suas funções. Mas a palavra final será do presidente da República”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun.

Pela estratégia de Temer, o PR, por exemplo, pode perder o Ministério dos Transportes caso indique um apoio à eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da sigla discutem quem indicar para a sucessão do atual titular, Maurício Quintella, pois a cadeira no Senado por Alagoas ficará vaga para ele tentar a reeleição para deputado. Um dos nomes na mesa é o de Deusdina dos Reis Pereira, que foi destituída, em janeiro, pelo Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal da vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias do banco por suspeita de ter praticado tráfico de influência.

Temer almeja fechar todas as mudanças ministeriais até o fim de março. Pela legislação eleitoral, os ministros que serão candidatos devem sair do governo até 7 de abril. Oito ministros devem deixar o cargo. A conta não inclui o titular da Fazenda, Henrique Meirelles, que tenta viabilizar sua candidatura presidencial.

Kassab
Com a decisão de Temer de vincular as trocas ministeriais às eleições, o ministro Gilberto Kassab (Comunicações) afirmou, nessa segunda (26), a preferência do PSD pela candidatura do governador Geraldo Alckmin (PSDB). No entanto, o apoio poderá ser rediscutido caso o presidente tente a reeleição.

“O PSD tem como premissa que Temer não será candidato, pois é evidente: no caso de candidatura, seu nome seria imediatamente incluído nas discussões do partido.”

A preferência do PSD por Alckmin tem uma razão: o partido fechou acordo com o PSDB em São Paulo para indicar o candidato a vice-governador do estado na chapa encabeçada por um tucano. O candidato a vice é o próprio Kassab.

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