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Salvador

Roda de conversa com alunos debate papel da mulher

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Como parte de uma série de atividades desenvolvidas pela Secretaria de Educação (SEC) do estado, em parceria com a Secretaria de Política para as Mulheres (SPM) durante o mês de março, foi realizada na manhã desta quinta-feira, 8, na sede da SEC (Centro Administrativo, Salvador), uma roda de conversa com a temática “Mulheres que fazem a diferença: seus desafios e conquistas”.

Participaram do debate a capitã e comandante da Base Comunitária de Segurança (BCS) de Santa Cruz, Sheila Barbosa, e as professoras Josiane Climaco e Deise Luciano.

As apresentações artísticas ficaram por conta do grupo Black Dance e dos músicos Carina Tapajós e Erich Valadares. Estudantes e educadores estiveram presentes.

Para a capitã Sheila Barbosa, que comanda a BCS de Santa Cruz há três anos, a imagem de uma mulher em um cargo de referência é fundamental para que, dentro da comunidade, outras mulheres reflitam e tragam para si o desejo de alcançarem o que quiserem.

A aproximação entre a Polícia Militar e a comunidade é, segundo ela, uma marca dos últimos anos. Lá, ela desenvolve ações de arte, dança, música e cria ferramentas de autoestima e reflexão para as mulheres da comunidade.

“A mulher não pode ser refém de uma construção social feita ao longo do tempo. Ela pode ser o que quiser, não apenas os cargos pré-determinados pela sociedade. Realizamos atividades como a garota comunidade, a semana de combate a violência contra a mulher, além de serviços, como o mamamóvel. Ações como essas, empodera a mulher e dá voz e vez à comunidade”, diz a capitã Sheila.

A professora Deise Luciano destaca que a escola deve ser o ponto de partida, espaço semeador para a questão da igualdade de gênero, assim como o empoderamento feminino deve ser pauta importante do processo educativo.

“O machismo é uma construção perversa, que perdura durante séculos e precisamos desconstruir. A escola tem esse papel importante. Há 18 anos fazemos um trabalho sobre questão de gênero no colégio sete de setembro e os resultados estão sendo colhidos”, destaca a educadora.

Estudantes do Colégio Sete de Setembro, em Paripe, Alan Robert, de 17 anos, e Carlos Eduardo, 18, desenvolveram o aplicativo “Conscientizando”, no qual as mulheres podem denunciar agressões e também terem acesso à informações jurídicas sobre os direitos da mulher. “Sempre vivi em um ambiente pautado pelo respeito e igualdade. A partir de um trabalho escolar, tive a ideia de fazer o aplicativo”, conta Alan.

Integrante do grupo Black Dance, a estudante Nicole Bastos, 17, acredita que o debate na escola sobre igualdade de gênero e violência contra a mulher deve ser ampliado. “Na escola, ainda temos poucos diálogos sobre isso. Muita coisa na sociedade é colocada para debaixo do tapete, a escola deve expor e debater essas questões”, afirma.

A professora Josiane Climaco enaltece uma maior presença feminina nos postos de trabalho, dos mais variados. No entanto, ressalta que o campo da política ainda deve ser conquistado e materializado. “Somos mulheres, mas temos nossas especificidades e não somos tratadas de forma igualitária em todos os espaços de poder. A escola é uma possibilidade dentro da sociedade. Ela possui a função social de elevar o pensamento teórico do estudante. E por meio de problematizações e abordagens criticas, possibilitar que o aluno desconstrua a hipocrisia social na qual fomos criados”, diz ela.

*Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre

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