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câncer de mama

Com nova droga, SUS passa a tratar câncer como em países desenvolvidos

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IStock

O Brasil está prestes a entrar para o rol de países que oferecem tratamento refinado a pacientes de câncer de mama metastático na rede pública, a exemplo do que acontece em nações desenvolvidas. O Ministério da Saúde oficializou, no Diário Oficial da União desta quarta-feira (6/12), a oferta de pertuzumab a mulheres diagnosticadas com tumores metastáticos tipo HER2-positivo. O governo tem 180 dias para disponibilizar o medicamento nos centros de tratamento.

A chegada do pertuzumab no SUS é a segunda vitória de médicos e pacientes desse tipo de câncer em 2017. Em agosto, o governo anunciou que estenderia o uso do trastuzumab, antes empregado apenas em casos iniciais de tumor, também para mulheres em metástase. Desde então, o governo avaliava o custo-benefício do uso combinado das duas drogas.

A fim de ter à disposição os medicamentos para início do tratamento, o paciente com neoplasia maligna tem amparo legal na Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012, e na Portaria 876, de 16 de maio de 2013. O prazo para início do tratamento no SUS é de até 60 dias, contados a partir da data do diagnóstico.

A dificuldade para a maioria dos pacientes, no entanto, é realizar as primeiras consultas e os exames que identifiquem a doença.

A adoção da “nova” droga – ela é aprovada pela Anvisa para uso e comercialização no Brasil desde 2013 –, aliada ao uso do trastuzumab, pode significar mais cinco anos de vida às pacientes.

A decisão veio depois que estudos de entidades de combate ao câncer e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica mostraram que a falta de acesso aos medicamentos representava perdas significativas de anos de vida para essas pacientes.

Primeiro mundo
O anúncio, dado como uma “surpresa boa” mesmo para especialistas, foi recebido com entusiasmo por médicos e sociedades especializadas e de pacientes. “Estou muito feliz porque essa foi uma conversa [com o governo] que começamos um pouco desacreditados do sucesso. Poucos países têm, para a população inteira, esse tipo de tratamento”, comemora o oncologista Gustavo Fernandes, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e coordenador do Hospital Sírio-Libanês em Brasília.

Saímos de uma posição de absoluto esquecimento dessa doença e passamos para um nível de primeiro mundo.

Gustavo Fernandes, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica

Na avaliação do expert, a inclusão das duas drogas no protocolo de câncer de mama metastático, no SUS, só foi possível depois que entidades, governo e farmacêuticas se reuniram a fim de encontrar uma solução para o problema. “Agora, essa mulher que tem o diagnóstico de câncer de mama HER2-positivo vai ter o melhor tratamento que existe para o caso dela. E isso é muito legal. Ficamos muito felizes”, disse o especialista.

O pertuzumab é geralmente usado em combinação com o trastuzumab para potencializar o seu efeito. “É como se ele impedisse que o tumor criasse resistência ao trastuzumab”, explica Fernandes. Um estudo de fase II NeoSphere mostrou, em 2015, que 40% das pacientes tratadas com a combinação das duas drogas tinham resposta patológica total ao tratamento até o momento da cirurgia (nenhum nódulo detectável), contra 21,5% das medicadas apenas com trastuzumab e quimioterapia comum.

Ainda segundo o oncologista, os cinco anos a mais de vida proporcionados pelo tratamento combinado dão qualidade e bem-estar às pacientes. “É um tempo significativo a mais de vida e um tratamento com efeitos colaterais moderados, muito diferentes dos da quimioterapia”.

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